O direito à prática desportiva

A minha vida inteira pratiquei desporto.

Hoje a chegar aos cinquenta continua a ser uma parte importante da minha vida e do meu equilíbrio e da minha família. Para aqueles que me conhecem sabem que o surf é o meu desporto de eleição, mas também corro, ando de bicicleta, de skate (às vezes), pratico yoga, jiu-jitsu entre outros desportos. A prática desportiva é diária e garante-me de bem-estar físico e mental. Sou genericamente uma pessoa saudável e com bons hábitos de alimentação (vegetariano). Quando vou fazer check-ups a minha tensão é boa, o meu peso equilibrado. Não fico doente e não falto ao meu trabalho desde que me lembro.

Isto tudo devo sobretudo à prática desportiva regular que para além destes benefícios traz outros sobre os quais construi o projeto da Associação Surf Social Wave. Quando praticamos desporto aprendemos a trabalhar em equipa, a vencer e a perder, a ser resilientes, a lutar contra as adversidades, trabalhamos a plasticidade cerebral, a coordenação entre outras coisas fundamentais para uma vida plena e equilibrada.

É aceite que,do ponto de vista da saúde publica, uma população saudável que pratica desporto com regularidade, traz benefícios para a saúde física e mental de cada um, mas também tem um saldo positivo na economia dos países. Menos pessoas doentes significa mais pessoas a trabalhar, menos custos com saúde, menos custos com subsídios de doença e naturalmente menor carga nos serviços de saúde públicos ou privados.

Quando olhamos para o panorama mundial a maior causa de mortes são justamente os ataques cardíacos em grande parte provocados por falta de hábitos de vida saudáveis, pratica desportiva e alimentação equilibrada. Quando olhamos para as causas de morte da Pandemia que vivemos encontramos justamente no maior grupo de risco pessoas com excesso de peso, doenças cardíacas e pessoas mais velhas, sendo que neste grupo pessoas menos saudáveis tendem a ser mais afetadas.

Na sangria louca de impedir os contágios, sem se perceber bem onde se dão, o Estado e os seus agentes decidiram fechar gradualmente o acesso à prática desportiva, tornando aqueles que querem surfar, correr, andar de bicicleta ou outros em pequenos criminosos.

Mas mantém a possibilidade de comprarmos um hambúrguer com bacon (considerado pela OMS como cancerígeno), com excesso de gordura e com uma “pegada” calórica brutal e nefasta. Dirão os mais céticos, sim. Mas recebes o hamburguerzinho em casa sem “infetares ou seres infetado” por ninguém. Não sei.

Continuo à procura de estudos que me digam onde estão os hotspots de transmissão.

Mas estudos sobre os efeitos negativos na saúde por causa da falta de prática desportiva regular ou de má alimentação há e não são poucos.

Então porquê limitar gradualmente a prática desportiva se parece trazer tantos benefícios individuais e coletivos bem como à economia e deixar aberta a possibilidade de continuarmos a intoxicar-nos com hábitos sedentários e alimentação de má qualidade?

Não faria sentido abrir um espaço seguro para todos aqueles que querem salvar-se e salvar o SNS pudessem praticar desporto?

Por fim dizer que vou continuar a praticar desporto todos os dias que consiga porque apenas de mim depende manter-me distante socialmente. Quando isso não acontecer não estarei lá com certeza.

É isto mantenham-se seguros!

António Pedro de Sá Leal was born in 1971 in Lisbon, graduated in Philosophy at Universidade Nova de Lisboa.

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