O verão vem a caminho e a primavera,apesar de chuvosa, tem trazido bons dias de praia. Depois do estado de emergência e ainda em pleno estado de calamidade os portugueses, entre os quais me incluo, começam a pensar na praia, nos banhos de sol e nos passeios à beira mar e desesperam porque na maior parte das praias podem circular, mas não assentar as toalhas no areal. Apesar de, em muitos casos estarem sozinhos. Vem sempre e bem, a polícia fazer o seu papel pedagógico e pedir para nos movimentarmos.

Nas notícias lemos as diferentes regras que são referidas para impedir os ajuntamentos nas praias. Algumas Câmaras Municipais consideram fazer “praias” em parques, outras começam infelizmente a desinfetar a areia, poluindo o mar e o planeta de uma forma indiscriminada e sem sentido. Brevemente teremos um pacote de regras para ir à praia, provavelmente, do que leio, altamente restritivas e com controle apertado, fala-se em pulseiras, sinais sonoros, bandeiras de limitação e mais uma série de medidas que servirão para nos limitar a liberdade e promover comportamentos de risco.

Recentemente ouvi um concessionário de praia dizer que, o que acontecia na sua zona era que, as praias vigiadas e controladas pela polícia estavam vazias ou muito pouco frequentadas, no entanto, as praias de difícil acesso ou habitualmente desertas começavam a encher-se de pessoas que queriam apanhar sol e dar um mergulho, mas eram impedidas pelas regras vigentes. Isto temo que possa ser o mote para o Verão 2020. Praias cheias de controle e com poucas pessoas, governantes contentes e convencidos que tomaram as medidas acertadas e depois praias cheias de pessoas amontoadas, sem vigilância e com um risco elevado de contágio e sobretudo de mortes por afogamento.

Do lado de quem legisla temos verificado em determinados momentos profunda sensatez que contrasta com a loucura completa. Defesa dos portugueses em determinada altura e caciquismo político na sua pior face. Hoje celebra-se para os católicos o 13 de maio, historicamente um dia de enchentes em Fátima, há menos de um mês celebrou-se a Páscoa. O que vi em ambos os momentos foi uma posição coerente e sobretudo responsável. E não me refiro à igreja católica de Francisco, mas às pessoas. Às pessoas que deixaram promessas por cumprir, que abdicaram de celebrar a sua fé em conjunto e que souberam fazê-lo com a distância necessária, verificando-se apenas algumas patetices.

Refiro este exemplo porque acredito acima de tudo nas pessoas. Todos queremos ir à praia. Eu quero, e tu queres. A maior parte de nós vai saber estar na praia e existirão, como existem sempre alguns que não vão saber.

Por isso creio que este regresso à praia passa menos por impor regras restritivas e impossíveis de cumprir e mais por equipar os diferentes stakeholders com informação e um pacote de medidas viáveis e sobretudo investir na informação e na prevenção utilizando para isso os meios que o Estado tem, nomeadamente o ISN e a Marinha que têm tido um papel relevante nos últimos 30 anos nesta área. Tudo o resto são convites ao desrespeito, à violência e à falta de liberdade.

António Pedro de Sá Leal was born in 1971 in Lisbon, graduated in Philosophy at Universidade Nova de Lisboa.

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