No projecto em que estou envolvido dependemos de dar aulas de surf para realizar a nossa missão social. Em Março quando fecharam as praias e a possibilidade de dar aulas de surf, fecharam igualmente o nosso acesso às receitas. Parámos. As nossas receitas desapareceram.

Como não podemos depender da resolução desta situação reinventamos o nosso Programa Surf para a Empregabilidade e vamos realizar uma edição totalmente online para além disso tentamos envolver os nossos alunos de surf o melhor que soubemos. Para isso criamos uma aula semanal com workshops sobre temas que não temos habitualmente tempo para falar e que consideramos importantes para o desenvolvimento de qualquer um de nós como surfista. Falamos de como escolher a praia certa, de como escolher a prancha certa, da etiqueta do surf e de muitos outros assuntos que se desenvolvem em torno do surf. No fim partimos para o treino físico, funcional e específico com o objectivo que os nossos alunos mantivessem a sua capacidade física e estivessem o mais prontos possível para quando fosse o momento de remar de novo para o outside. Não o fizemos gratuitamente, porque sabemos que o trabalho intelectual deve ser remunerado. Adaptamos os valores às possibilidades e à realidade dos nossos alunos.

Agora.

Agora queremos voltar a dar aulas de surf, na praia, no mar. Mas não queremos fazê-lo a qualquer custo. Sabemos que um passo em falso pode deitar tudo a perder. Sabemos que não sabemos nada sobre como nos protegermos a nós e aos nossos alunos. Por isso pareceu-nos inteligente a missiva liderada pela FPS em parceria com a ANS e com a WSL Europe no sentido de abrir o surf aos surfistas de lazer a possibilidade de voltarem às ondas o quanto antes, na medida em que, de facto, o surf é um desporto individual, da mesma maneira que nos faz sentido agora preparar um plano estruturado, seguro e consistente para que as escolas de surf possam abrir, porque para muitos alunos das escolas, o surf também é um exercício de saúde pública, física e mental. Mas também porque olhamos para os nossos amigos que, como nós, ajudam o país com os seus negócios e estão sem receitas, enclausurados numa ratoeira financeira à qual temo muitos não sobreviverão.

Hoje, fiz uma pesquisa exaustiva na internet sobre medidas de mitigação do risco no ensino do surf e para minha surpresa não encontrei nada.

Assim sem nada em concreto quero trabalhar, mas preciso de saber como fazê-lo. Não me serve nem aos meus clientes um selo que diz que estamos limpos e seguros. Preciso, precisamos todos de um manual de boas práticas consistente e sobretudo validado pela DGS e que nos garanta que temos todas as ferramentas para garantir a segurança dos nossos clientes e dos nossos colaboradores e possamos dessa forma recuperar as nossas receitas e a nossa vida profissional. E da mesma maneira que considerei que a FPS tinha a obrigação de nos liderar na abertura das ondas, considero hoje que a mesma FPS deve liderar o processo de abertura das escolas de surf e deve fazê-lo de uma forma exemplar e estruturada. Era importante neste momento que não tivéssemos pressa porque isso pode atrasar-nos ainda mais.

Resta-me dizer que acredito nos surfistas de lazer, nos alunos, nos profissionais, nos empresários e nas diferentes instituições e por isso sei que cada um vai desempenhar o seu papel de uma forma exemplar para que possamos todos remar para o outside brevemente.

Boas ondas…Brevemente!

António Pedro de Sá Leal was born in 1971 in Lisbon, graduated in Philosophy at Universidade Nova de Lisboa.

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